18.1.07
‘‘vai uma doida por ali, a rir-se só para si’’
Trago um sorriso p’ra casa. Não me larga a cada passo. Estou cheia, preenchida de amor e alegria. Espreito do agasalho do meu guarda-chuva verde para ver todo o movimento circundante. Não fosse a fragilidade facilmente violada pela água e pelo vento, atirava esta sombra que me tira liberdade de ver e todas as alegrias que me escapam.
Surgem-me mil e uma ideias e pensamentos. Apetece-me correr p’ra casa a escrevê-los enquanto estão quentes, e no entanto, quero que o passeio se estique de forma a atrasar-me e, ao mesmo tempo, dar-me mais tempo deste momento tão jubiloso. É tão raro. Se apenas soubessem como é tão raro. Por isso não quero que acabe. Por isso quero que dure p’ra sempre, que quando acordar amanhã de manhã e na manhã do dia seguinte e do outro a seguir e do outro e do outro, sinta na mesma esta realização interior, que me dá uma aparência de maluca, porque vou sozinha e contente, porque quem não sabe a minha tarde sabe logo toda a minha vida. ‘Sabe’ logo que ‘‘vai uma doida por ali, a rir-se só para si’’. E até é verdade, até que vai aqui uma doida. Eu gosto de ser doida, porque quem não é doido passa a vida a julgar quem o é e acaba por perder na vida a loucura que nos faz viver os melhores momentos que poderíamos alguma vez ter. Sim, também gosto de instantes que ficam na memória: aquelas ocasiões especiais no sítio onde tudo se planeou acontecer, à hora combinada, com quem foi convidado. Mais especial ainda, é a espontaneidade dos encontros ocasionais com quem menos se esperava numa hora de humor perfeito, que nos leva a passar uma tarde de total satisfação sentimental e trazer p’ra casa um sorriso.
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