28.1.07
tomou um rumo inesperado. sorry ^.^
Foi uma longa semana sem sair de casa. Faz hoje três dias que não vejo a luz do sol sem ter como lente um vidro... Sabia que este facto daria asas à minha produção literária, era só uma questão de tempo. Mas até que estava com mais inspiração na cozinha, ao arrumar as panelas na máquina de lavar. e olhem que não me queixo, preferia ter as panelas do que os livros a pesar-me na consciência. Pensando melhor, se calhar até era ao contrário. Pensando ainda melhor, nenhum deles me aliviaria de forma alguma das agressões psíquicas que nos causam quaisquer obrigações. Aliás, desta vez, tomei a iniciativa de tratar da louça porque me sentia culpada por ter pegado a gripe à minha mãe. Algum micróbio que deu um passo grande para o vírus e um passo atrás para a humanidade, que presentemente está ameaçada pelas gripes e constipações. Perguntei-me, de facto, no meio daqueles cheiros culinários e padrões de cortinas, toalhas de mesa e panos de cozinha, se é assim que a espécie humana vai acabar. Esta questão tem-me atormentado mais que bastante nos últimos tempos. Ora, se o gelo está a derreter, se estamos (mais do que ‘à espera') à espera que neve aqui, onde não neva há "c'anos", se as praias não mais o são e os ilhéus do mundo vão passar a usar garrafas de oxigénio permanentemente, que outro fim haverá reservado para o querido ser humano? Certamente não estamos à espera que venha um flying saucer recheado de homens verdes abaixo do metro e meio de altura matar-nos a todos com o seu laser mágico e usar os nossos recursos naturais. Fomos nós que começámos a destruição da terra, porque estamos à espera de…
25.1.07
'os seus queridos anjos'
Ela não sabe. Desespera por eles, que conheceu toda a vida. Não tarda passa-lhe, mas enquanto dura, dura intensamente. Não se lembra bem, foi tudo um tumulto de pulsações altas e revoluções de dor interior. Estava escuro, tinha sido empurrada janela fora, enquanto eles, na sua inocência, seguiam o brinquedo tão atraente até à caixa que os levaria para nunca mais voltar. Não percebeu, mas apercebeu-se que algo ali não estava bem. Os três amores da sua vida eram já recordações. Agora, mia e bem alto. Sofre a perda daquela vez que não soube ou que não pôde proteger os seus queridos anjos.
19.1.07
Dreamland
There is no other place I’d rather be than the one I am right now.
It’s not the land with borders, it’s the one bathed by the sun.
The one of million colours, where all living creatures run free
It is called the great blue planet; it’s the Earth of you and me.
But you see, the land I’d like to have is no longer fit to be
We ruined all its greatness with our plans to rule the sea
Fresh air, fresh health, fresh water we will sooner have to leave
And the old blue ocean’s thirsty for its creatures no longer breathe
So I dream and hope the future will take me to a brand new sea
So blue, my eyes won’t stand it and as sparkly as can be
A place where we’d only smile and laugh and live in harmony
Oh that place would rise all creatures to such bliss it’d be hard to breathe
18.1.07
‘‘vai uma doida por ali, a rir-se só para si’’
Trago um sorriso p’ra casa. Não me larga a cada passo. Estou cheia, preenchida de amor e alegria. Espreito do agasalho do meu guarda-chuva verde para ver todo o movimento circundante. Não fosse a fragilidade facilmente violada pela água e pelo vento, atirava esta sombra que me tira liberdade de ver e todas as alegrias que me escapam.
Surgem-me mil e uma ideias e pensamentos. Apetece-me correr p’ra casa a escrevê-los enquanto estão quentes, e no entanto, quero que o passeio se estique de forma a atrasar-me e, ao mesmo tempo, dar-me mais tempo deste momento tão jubiloso. É tão raro. Se apenas soubessem como é tão raro. Por isso não quero que acabe. Por isso quero que dure p’ra sempre, que quando acordar amanhã de manhã e na manhã do dia seguinte e do outro a seguir e do outro e do outro, sinta na mesma esta realização interior, que me dá uma aparência de maluca, porque vou sozinha e contente, porque quem não sabe a minha tarde sabe logo toda a minha vida. ‘Sabe’ logo que ‘‘vai uma doida por ali, a rir-se só para si’’. E até é verdade, até que vai aqui uma doida. Eu gosto de ser doida, porque quem não é doido passa a vida a julgar quem o é e acaba por perder na vida a loucura que nos faz viver os melhores momentos que poderíamos alguma vez ter. Sim, também gosto de instantes que ficam na memória: aquelas ocasiões especiais no sítio onde tudo se planeou acontecer, à hora combinada, com quem foi convidado. Mais especial ainda, é a espontaneidade dos encontros ocasionais com quem menos se esperava numa hora de humor perfeito, que nos leva a passar uma tarde de total satisfação sentimental e trazer p’ra casa um sorriso.
17.1.07
A Estrelita quer ser Star
Faz este mês dez anos que vestiu os primeiros soquetes cor de salmão, o seu fatinho azul-bebé com coroas e fitas desenhadas na manga esquerda e as suas primeiras sapatilhas de ballet. Sete anos, tinha a Estrelita, quando saltitou pela sala soalheira adentro, acompanhada dos caracóis castanho-chocolate. A única situação de confronto com crianças da sua idade que não temeu e, aliás, quis enfrentar de vontade própria. Ao entrar, nem olhou para trás, qualquer coisa naquele sítio ali transmitia-lhe confiança. Era um espaço aberto e iluminado, todos os cantos estavam descobertos e as paredes brancas. Nada escondia nada. Muito distraída e conversadora, não prestava atenção, preferia conversar.
Não levava muito a sério, só estava lá para dançar.
Uns bons 7 anos depois, uma chama fê-la brilhar.
Levava tudo à sua frente, a rodar e a saltar.
‘Calma!’ todos diziam. ‘Calma é coisa que não serve’ lhe dizia o brilho cor-de-rosa das sapatilhas. Hoje, não pára enquanto não voar. Saltar não chega, tem de chegar ao holofote mais alto, aquele que está mais longe e, ainda assim, é o que melhor ilumina o lugar onde mais gosta de estar: o palco. A Estrelita quer ser Star.
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