Hoje sonhei que estávamos sentadas na cama da minha mãe, a mostrar coisinhas que tínhamos angariado ao longo do ano em que nos separámos. Contávamos as novidades todas, a história da nossa vida desde aquele dia fatídico quando a amizade falhou em prol da diversão e desmotivada pela depressão. A minha mãe não aprovava. Estava na cozinha, a descarregar a raiva nos pratos.
E nós íamos vendo o quarto perder luz, rindo e falando, como se as saudades ultrapassassem o orgulho. Fora a culpa minha, fora tua… Era passado, não interessava.
E quando acordei, já não sabia mais o que interessava. Se queria ou não este sonho. No fundo, o que não fez sentido p’ra ti significava tudo p’ra mim. Gosto de fazer testes surpresa, porque é em situações inesperadas que se avalia a preparação social. Mas, porém, todavia, contudo… Seria exagero meu?! Teria eu esperado demasiada confiança em retorno? Quando acordo, volto a acreditar que não fui eu, que foste tu.
Em sonhos, volto a sentar-me contigo na cama, em risos e patetices, como deixámos de estar muito antes do dito apocalipse fraternal.