17.1.07

A Estrelita quer ser Star

Faz este mês dez anos que vestiu os primeiros soquetes cor de salmão, o seu fatinho azul-bebé com coroas e fitas desenhadas na manga esquerda e as suas primeiras sapatilhas de ballet. Sete anos, tinha a Estrelita, quando saltitou pela sala soalheira adentro, acompanhada dos caracóis castanho-chocolate. A única situação de confronto com crianças da sua idade que não temeu e, aliás, quis enfrentar de vontade própria. Ao entrar, nem olhou para trás, qualquer coisa naquele sítio ali transmitia-lhe confiança. Era um espaço aberto e iluminado, todos os cantos estavam descobertos e as paredes brancas. Nada escondia nada. Muito distraída e conversadora, não prestava atenção, preferia conversar. Não levava muito a sério, só estava lá para dançar. Uns bons 7 anos depois, uma chama fê-la brilhar. Levava tudo à sua frente, a rodar e a saltar. ‘Calma!’ todos diziam. ‘Calma é coisa que não serve’ lhe dizia o brilho cor-de-rosa das sapatilhas. Hoje, não pára enquanto não voar. Saltar não chega, tem de chegar ao holofote mais alto, aquele que está mais longe e, ainda assim, é o que melhor ilumina o lugar onde mais gosta de estar: o palco. A Estrelita quer ser Star.