7.3.08

Conclusões amargas

Estás aí, no país. Deixaste-me para trás na paisagem. Agora faço parte dela, sabes?! Finalmente percebi o meu lugar no mundo. Acaba por não ser bem o que imaginava, nem o que mais queria, mas é aceitável. A casa é onde está quem amamos. Tu já fizeste a tua casa. E podes facilmente transportá-la contigo.
Estás de vida feita. Não precisas de mais ninguém, senão da tua casa. Pois está mal; há quem precise de ti também. Tenha precisado e continue a precisar. E não só nos momentos maus! Saibando ou não, constuíste-me também. Com as pedras que me deste e que me atiraste intencionalmente ou não, constuí o meu castelo. Ou os seus alicerces, pelo menos. (O projecto só acaba no fim.) Agora, já não me queres dar mais. Dizes, falas, mas não fazes. E eu, por influência, também não faço. Já cresceste. És gente crescida. Fico contente, porque estavas ansiosa por isso. Mas fico triste por não poder partilhar a adolescência que me resta contigo. Fizeste-me aproveitá-la tanto... Nem tinha noção. E agora, está enregelecida no canto do congelador. E a tua está atrás duma parede. Sim, porque sempre tiveste medo de a mostrar. Por alguma razão, não te orgulhas da tua experiência de vida.
Eu não sabia, mas agora compreendo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Tao bem descrito Janni. Fantástico, li de uma vez só, sem conseguir parar e reli... Parabens
magnifico texto. Simples mas exacto, completo... tocou cá dentro...
Bjinhu*

Sissi

Tita disse...

Gostei .