Se te pedirem p'ra te apresentares, respondes que te chamas Jani e dizes que és estudante, que és bailarina, que és asmática, que és ateia, ou que és solteira?
Eu não diria nada, p'ra começar. Para além o meu nome, talvez também a minha idade. O resto revelaria a seu tempo, quando fosse relevante para o tema de conversa.
Na verdade, não me posso definir porque não só uma só a cada momento. Ninguém pode porque ninguém é. Muitos apelidos vêm de profissões porque desde há muito tempo as pessoas se caracterizam consoante o seu emprego. Ora, se eu tiver mais do que um emprego, vou definir-me consoante o que gosto mais ou o que paga melhor ou aquele em que sou mais fluente? E se estiver desempregada, defino-me como isso? Eu não fui desempregada a vida toda, nem certamente o vou ser. Posso não fazer tudo ao mesmo tempo, mas também não faço só uma coisa. E não são só as mulheres capazes de fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo.
Por isso não compreendo preconceitos e estereótipos do género: 'sou contra os gays', 'tenho medo de toxicodependentes', 'quero ser uma celebridade, por isso, vou entrar numa novela', 'as anorécticas são malucas', 'os garanhões têm a mania que são os melhores'... OK, este último até sou capaz de compreender, não é por acaso que os garanhões são concorridos -- também hão de fazer alguma coisa por isso... E eu também não sou tolerante a 100%. É impossível ser só e totalmente uma só coisa num só instante.
Daí que eu tenha prazer e orgulho em reunir várias capacidades e daí que me realize mais um bocadinho cada vez que alguém se admira de eu(alguém) ser capaz disso.
2 comentários:
Jani,
Adorei =)
excelent reflexao *
Sissi*
tomamos definições momentaneas de nós mesmos mas penso que são saudáveis... pois é uma forma de nos descobrir-mos!
Para mim é um exercicio fantastico pois aprendo-me a conhecer-me e a ver a minha própria vida nos olhos de outra pessoa...
bjnhu* adorei
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