25.10.09

Caminhos Cruzados

Sentada no lugar do passageiro, a odiar o facto de ter escolhido aquelas calças, não tirava delas os olhos por vergonha. Enquanto forçava um pensamento, procurava as palavras para o formar e tornar audível, não podia levantar os olhos das marcas pretas nas minhas pernas. Com a impaciência pelo meu próprio raciocínio, desfiz conscientemente o plástico que cobria os lenços de papel quase sem me aperceber. E os olhos cravados no perfil do meu olho esquerdo, a minha bochecha que esconde a metade visível dos meus lábios quando vista de lado, esses olhos mais pressão fazem. Esta pressa da consciencialização, a ânsia pelo conhecimento e definição do saber. A necessidade desta transmissão versus a necessidade daquele encobrimento. Porquê, fará sentido? É como devia ser? Devia ser alguma coisa? Ofereces-me este caminho, que eu tomo por não querer a alternativa que é o caminho solitário. Esse é sombrio e nele correm assobios do vento. Ouço isto à entrada da bifurcação. No caminho pelo qual me levas, espreitam furos. E do outro lado, está o outro caminho. Diz ele, vem, podes sempre voltar. Eu ouço, mas não obedeço. Este caminho é mais confortável. Cedo à preguiça, espreitando sempre de lado para a independência. Mas a independência é tão triste, embora forte. Mas ainda não te dou a mão. Ainda não ma ofereceste. Vou oscilando entre os dois caminhos. Vou furando pelos buracos, mais apertados à medida que o caminho cresce. Espero só no último buraco ficar do lado mais iluminado e quentinho.

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