27.10.09

Pedintes ao pequeno-almoço

Vens ter comigo na rua e falas-me como se me conhecesses. Como se tivesses confiança suficiente em mim que garantisse que eu te daria o que pedisses. Perguntas-me se tenho alguma coisinha que te possa dar. Como assim, alguma coisinha? Como me provas com essa pergunta que mereces que eu dispense o que a mim foi dado por ser herdeira do património dos meus pais, que passam um número de horas fora e dentro de casa a trabalhar, a fazer coisas que às vezes não gostam. Podes provar que o facto de não teres o que eu tenho não o tens apesar dos esforços e vontade de fazer por o ter? Não será preguiça, aquele pecado pendurado na cruz que trazes ao peito, o que fazes quando me pedes o que não tens direito de pedir? Se eu te pedisse agora para me contares a história atrás da tua mão estendida, dispensavas o teu tempo para, no fim, eu decidir se sinto compaixão e antes disso se acredito? Vês na minha cara que o dinheiro que tenho, os artigos que a tua mente radiografa pelos contornos da minha mala, são-me dados a mim por direito legítimo e não me é a mim atribuído o direito de tos ceder? Pois são-me dados como investimento, pois já comprovei que lhes dou bom proveito e no futuro contribuirei de volta, quer seja directamente para os meus pais, quer seja para o resto da sociedade, à qual eles também pertencem. E tu, contribuis alguma coisa? Que fazes para merecer a minha confiança e o meu contributo? Agora já não há dinheiro para piedade. Os mecenas exigem amostras antes de dispensarem o trabalho árduo. Mostra-me o que fazes! Se concordar, ajudo.

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